24 janeiro 2014

Vaga inédita no Biathlon oficialmente confirmada!

Começou com uma esperança: classificar o Brasil pela primeira vez nas Olimpíadas de Inverno no Biathlon. Continuou com uma pergunta: Como? Eu, aos 35 anos, grávida de um bebê, decidi aprender a atirar!

O Jean Paquet, técnico da equipe nacional canadense me ensinou o básico, ajustou a minha posição de tiro e partimos deste ponto. E ele já avisou: "O Biathlon é um esporte muito difícil!"

Um ano mais tarde, três meses depois do nascimento do meu filho e ainda amamentando, comecei a participar de provas de Biathlon. Eu tinha que recuperar minha forma, meu abdômen ainda estava bem fraquinho e na primeira prova regional errei 8 tiros em 10, um resultado nada animador! Mas fomos caminhando, ganhando experiência e evoluindo no esporte. 


No meu segundo ano, já conseguia de vez em quando atirar 7 em 10 :-). Foram inúmeras as vezes que congelei as mãos durante o treino, atirei com as mãos congeladas, sem sentir os movimentos, sofremos durante os invernos rigorosos, onde tinha que ficar no campo de tiro praticando os fundamentos com uma luva fina para não perder o tato e usar somente uma blusa de manga longa com uma lycra por cima para não atrapalhar o tiro colocando muitos casacos...


Tudo isso foi recompensado quando conseguimos classificar o Brasil pela primeira vez para o Campeonato Mundial de Biathlon em 2012! Fomos eu, Guido e Ian (de apenas 1 ano) enfrentar este desafio, o Guido (meu treinador e marido) preparou os esquis enquanto eu ficava com o Ian, logo depois, eu ia começar o aquecimento, enquanto o Guido cuidava do nosso bebê. 


Um desafio cansativo e percebemos que sem ajuda não conseguiríamos continuar assim. Foi aí que a minha mãe Ângela topou o desafio. Na temporada seguinte já conseguimos ir com mais tranquilidade sabendo que o Ian estaria bem, fomos em família enfrentar os desafios. 


Com os resultados alcançados conseguimos não somente classificar mais uma vez para o Campeonato Mundial de Biathlon 2013 como também fazer parte do seleto grupo de atletas que participam de Copas do Mundo, oportunidade única de aprender com as melhores do mundo neste esporte. 

O índice individual para os Jogos eu já havia conseguindo, mas foram os pontos que conquistei nos Campeonatos Mundiais de 2012 e 2013 que levaram o Brasil à 32a colocação e através destes pontos conseguimos esta vaga inédita! 


O que parecia impossível se transformou em uma imensa realização! O desafio foi enorme, pois estávamos começando uma família, eu começando a atirar e o Guido começando a aprender a ser treinador de Biathlon! Minha mãe foi uma guerreira, pois enfrentou todo o inverno, mesmo sendo muito friorenta. Lysette e Martin, pais do Guido, ajudaram muito cuidando do Ian enquanto eu e o Guido íamos aos treinamentos.

Agradecimentos à equipe da CBDN que me ajudou com todas as ferramentas essenciais para conseguir atingir minha excelência e ao apoio do programa Bolsa Atleta que me deu a segurança que precisava para me concentrar no esporte. Agradeço também o Comitê Olímpico Brasileiro por me incentivar através do programa de Solidariedade Olímpica e o Ministério dos Esportes por financiar a equipe multidisciplinar.
Agradeço a Deus por me dar saúde para continuar a fazer o que eu amo desde menina e que é a essência da minha vida: o esporte.
Especialmente, agradeço à minha mãe pela imensurável ajuda, ao Martin e o Jean pelos ensinamentos no tiro, ao Charles pelos super treinos de muscu, ao Guido, por ter me ajudado imensamente na minha trajetória esportiva, compartilhando e me apoiando em todos os momentos, fazendo do meu sonho o seu próprio sonho também.

Dedico esta conquista ao meu pai, que faleceu em Julho/2011, e que sempre vibrou com as minhas conquistas. 


Se eu puder falar do fundo do meu coração o quanto esta vaga é importante, não conseguirei transformar em palavras minha felicidade, este foi o maior desafio da minha carreira esportiva, a vaga olímpica mais difícil de conquistar. 

É uma honra enorme poder fazer parte mais uma vez da equipe que representará o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno, uma imensa satisfação poder fazer parte da história esportiva brasileira como a primeira atleta a representar o Brasil no Biathlon e principalmente servir como exemplo aos brasileiros, mostrando que vale a pena acreditar e lutar pelos seus sonhos, independente da sua realidade. 

Brava gente brasileira, obrigada pela confiança depositada e irei retribuir com todas as minhas forças para que consigamos um excelente resultado nos Jogos Olímpicos de Sochi 2014.

Jaque

2 comentários:

  1. Querida Jaque, que orgulho!!! Torcida eterna por você amiga! Beijos

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  2. Oi Dulce!!!!! Saudades demais! Obrigada pelo carinho e quero te ver em BH quando voltarmos! Bjo

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